Uma mulher vestida com uma bata branca olha para outra mulher mais velha, que lhe retribui o olhar. Ambas sorriem abertamente uma para a outra. A mulher mais nova tem nas mãos uma grande almofada em formato de coração vermelho, que serve de fundo para a fotografia.

A diferença que faz a diferença

Eliminar barreiras não é apenas abrir portas. É mudar olhares, é transformar a forma como vemos e vivemos em comunidade. Foi com essa intenção que a ACOMPANHA decidiu, há cerca de dois anos, integrar duas colaboradoras com deficiência no seu Centro de Dia para pessoas idosas: uma com necessidades específicas ao nível da audição e da fala e outra com necessidades específicas ao nível da cognição.
Este gesto simples, mas profundamente significativo, trouxe consigo uma série de mudanças que vão muito além do espaço físico da instituição. Mais do que empregos, criaram-se pontes. Pontes de empatia, de reconhecimento e de partilha.
Para os idosos, a convivência diária com estas colaboradoras abriu espaço a novas formas de relação. A ternura e a disponibilidade que demonstraram desde o primeiro dia geraram confiança e contribuíram para um ambiente mais afetuoso. O que antes poderia ser visto com reserva, ou até preconceito, transformou-se em proximidade e respeito. Como se, ao longo do tempo, cada gesto fosse desmontando a ideia de limite e construindo, em contrapartida, uma vivência mais humana.
Para os restantes colaboradores, a experiência foi igualmente enriquecedora. Trabalhar lado a lado com estas colegas revelou dinâmicas diferentes, novos modos de comunicar e uma inspiração que reforça o sentimento de pertença e de comunidade. A diferença deixou de ser apenas um conceito a respeitar e passou a ser um valor vivido, que alimenta a coesão da equipa.
Para a cooperativa, esta escolha teve também um efeito positivo. Reforçou a sua identidade solidária e humanista, afirmando-a como instituição comprometida com a defesa dos direitos das pessoas mais fragilizadas. Ao mesmo tempo, o apoio dos programas do IEFP, através de incentivos financeiros, tornou possível dar sustentabilidade a esta prática, permitindo que a inclusão não fosse apenas um ideal, mas uma realidade duradoura.
Para as colaboradoras com deficiência, a integração profissional foi um marco. Encontraram reconhecimento no trabalho, desenvolveram competências pessoais e sociais, ganharam autonomia e, sobretudo, a perspetiva de um futuro mais independente. A sua presença é um exemplo vivo de que a inclusão é também uma forma de realização.
Dois anos depois, a experiência fala por si e posso dizer que todos os envolvidos ganharam. Os idosos descobriram novas formas de afeto, os profissionais, novas formas de trabalhar, a cooperativa consolidou o seu papel social e as colaboradoras, conquistaram um futuro profissional.
No fundo, a diversidade revelou-se não como um desafio a superar, mas como um valor a celebrar. O mercado de trabalho tem hoje o dever de reconhecer estas potencialidades singulares. A inclusão não é um gesto de caridade, mas um compromisso de humanidade.
Como escreveu José Saramago, nos seus Cadernos de Lanzarote, de 1994, “somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos”. Ao assumir esta responsabilidade, a ACOMPANHA mostra que a inclusão não é apenas possível, mas que é, isso sim, necessária, justa e profundamente transformadora.

ACOMPANHA – Cooperativa de Solidariedade Social

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